quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Alma em guerra.

Me enveredei em sua alma, mas ela estava tão cheia de multidões, que não sabia se aquela multidão era feita por várias versões inexistentes de mim ou versões exageradas de sí mesma.
Aquela cena deu medo e antes que minha alma se tornasse parte dessa multidão perdida, peguei o caminho de volta daquele imenso labirinto, busquei as partes de mim que quase se arderam nas chamas de suas insanidades e mesmos marcado pelas cinzas que voavam dessa guerra interior, busquei a luz que ainda se via pela janela antes que tal abertura se fechasse.
A dor de entrar em um espaço tão apertado ainda ecoava sobre o meu corpo, enquanto as chamas distantes que, mesmo que eu tentasse, não se apagavam e ameaçavam desmoronar aquela alma antes que eu saísse, a pressão e a temperatura me impediam de pensar em qualquer solução que não fosse correr, e embora aquela multidão estivesse vestida de construção, tudo que se via eram restos perdidos de algo que nunca saiu do desenho para a prática.
A sensação era de que se tal alma não tivesse tão ferida, ali haveria um grande espaço para estabelecer minha morada, mas o tempo era curto e eu não poderia experimentar as ilusões advindas de cacos de civilizações mortas.
A guerra por algum momento invadiu minha alma enquanto corria, minhas certezas foram derrubadas e saqueadas, quase me perdi dentro daquela guerra, suportei as dores daquela alma para não perder a minha, entreguei minhas riquezas para libertar quem não queria ser liberto, quem já estava acostumado ao terror interior, quem já tinha virado cúmplice do próprio sequestrador, então só me restava pular de uma alma em 150km por hora rumo ao precipício e me machucar o menos possível na fuga daquele terreno infértil na busca de paz.
Minha alma que já experimentara guerras e furtos anteriores, se assombrou diante da possibilidade de tamanho golpe, então entre momentos de silêncios, gritos e ensaios de retirada e combate, finalmente estava na porta de saída e olhava para tudo que acreditava que seria reconstruído, mas que por causa do desgoverno daquele território, não havia quem levantasse a ruína daquela alma, me lancei antes que o precipício fosse o fim de minha busca e decidi que mesmo que doesse, minha alma não deveria perder a própria essência para morrer em guerra inútil contra inimigos invisíveis.
Fraco, porem mais forte, venci as minhas batalhas, mesmo que com alma dolorida e saqueada, ainda com caminhos um pouco tortuosos, pude me jogar e buscar a cura que não pude proporcionar, entrei de volta em mim mesmo e voltei a me governar, uma alma cheia de espaços novos se revelou, novas construções se instalaram, novos aprendizados estavam nas marcas deixadas enquanto estive fora, tudo que tinha perdido estava lá, porque não deixei que as feridas me colocassem no mesmo nível daquele espectro de ideais fraudulentos.
Venci o que era pra ser vencido, antes que pudesse ser plenamente derrotado, encontrei a saída, mas desertei sabendo que deixei sementes, que mesmo vendo a vontade daquela alma e ver o precipício, em algum momento haverá renascimento, tardio ou não, aquela alma há de florescer de vida em plenitude.

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