sábado, 3 de fevereiro de 2018

Desgovernados

Da mesma forma que ninguém sai de um carro em movimento, não é possível, do lado de fora parar um carro desgovernado.

Só saímos de um automóvel quando paramos ele, em circunstâncias normais, e tão somente dentro de um carro desgovernado é que devemos retomar o controle do veículo, mesmo que a situação momentânea indique que uma tragédia possa acontecer, somente quem está dentro sabe o que pode fazer para se restabelecer e ninguém pode invadir um carro em movimento e fazer com que ele pare.

Algumas vezes vamos perder o nosso próprio controle, vamos tentar abandonar nosso carro descontrolado, vamos entrar em ônibus e caminhões desgovernados achando que podemos reassumir o controle de tudo, mas não existem super-heróis e não somos heróis de ferro que salvam o mundo da tragédia iminente.

Ao contrário do que estamos sujeitos a ver todos os dias no trânsito, muitos de nós somos ou estamos como carros, estamos desgovernados por dentro, mas por fora parece que demonstramos total controle da direção, até fazendo com que outras pessoas mantenham o seu controle, entramos e saímos das vidas de várias pessoas, sem perceber, estabelecendo uma margem de segurança na forma como dirigem ou causando colisões inesperadas que nos fazem ter que reparar danos que muitas vezes levam anos sendo tratados, nos fazendo trocar peças e perdendo o rendimento ideal para seguir em frente.

Se tivéssemos um curso de direção defensiva para lidar com pessoas no contexto geral , perceberíamos cada placa indicativa que o olhar do outro apresenta em seu modo de dirigir sua vida, quando estaríamos dirigindo uma estrada rumo ao nosso lugar de descanso ou parados no acostamento pedindo ajuda pra continuar.

Como não temos auxílio de placas ou do monitoramento de um órgão regulador, o que nos resta é aprender com as colisões e experiências, que somos fundamentais no processo de construção de um veículo sadio, que tudo que foi mencionado acima vai acontecer com muitos de nós, mas que a resiliência e a fé podem nos tornar maduros o suficiente para dirigir a própria mente e reconhecer que tipo de ajuda cada um vai precisar na estrada.

Que não sejamos negligentes ou impessoais com o próximo, mas que também saibamos não ser atropelados por mentes perversas e inconstantes, por relacionamentos falidos ou pelo medo de não ter o controle do destino no GPS.

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