quinta-feira, 18 de abril de 2019

Sobre as dores

Algumas dores não se curam sozinhas, algumas cicatrizes externas escondem feridas internas que não cicatrizaram por completo, o tempo não é o melhor remédio para estas feridas, a cura não está no esquecimento da dor, mas está no tratamento correto do que originou a dor e seus sintomas. Algumas vezes recomenda-se o enfrentamento, outras vezes remediamos pela reconstrução da parte afetada, algumas outras cirurgicamente, uma boa parte pela conversa e autoanálise, ou ainda pela mudança de posturas.

Não fuja dos sentimentos ruins nem se envergonhe de ter tido medo deles um dia, encare as realidades presentes neles e desmistifique os fantasmas que surgem pela vergonha em admitir que algo deu errado. Nem tudo é o que parece, algumas vezes somos iludidos a pensar que somos maus, porque escolhemos outro caminho, ou porque éramos imaturos para compreender o que estávamos fazendo.

Podemos escolher entre colocar os pingos nos "is" antes que o futuro se encarregue de encobrir nossas visões e sentidos, ou podemos acreditar na ilusão de que somos imperdoáveis para os outros e para nós mesmos, tirando de nós toda a oportunidade de enxergar e sentir a leveza que nos privamos de admirar, por termos olhado para baixo sempre que esbarramos com o espectro irreal do que foi o nosso passado.

Sofrer as dores eternamente se torna uma opção quando diante das inúmeras formas de tratamento negamos a existência da mesma pelo medo dos resultados após a cura ou pela vergonha de não saber lidar com o tratamento da ferida que foi exposta. Parte da nossa liberdade está em reconhecermos nossas falhas e corrigirmos tudo antes que seja tarde demais para seguir em paz.

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