Camisa amarela
Quando era menino,
Com um cachorro fui brincar.
Bati a cabeça no chão,
E desatei a sangrar.
Uma camisa amarela,
Minha mãe usou para estancar.
A sangria desatada,
Enquanto eu estava a chorar.
A camisa foi guardada,
Para que eu sempre pudesse me lembrar,
Que mexer com quem está quieto,
Pode problema dar.
A camisa eu já não tenho mais,
O cachorro já não preciso temer.
Mas aprendi com a vida,
Que com alguns sentimentos não se deve mexer.
Muito, muito tempo atrás,
Fui atacado de forma mordaz,
Uma jovem amada,
Me feriu de palavras mortais.
Em silêncio me recolhi,
Guardei os prints dos "elogios" que recebi
Para nunca mais me esquecer,
Que existem várias formas de um ataque se proteger.
Você escolhe se deseja se recolher,
Se deixa o trauma te fazer tremer,
Ou como numa metamorfose,
Você não deixa aquilo te abater.
O print e a camisa podem nos ensinar duas coisas.
Ou a gente guarda algo até não lembrar mais o porquê,
Ou a gente perdoa os infortúnios da vida,
E aprende a perdoar, jogar fora o que não serve e aprende a esquecer.
É verdade que a dor desatina a doer,
A marca fica para que possamos aprender,
Mas a dor nesse caso é opcional,
Encontrar a curar é algo natural.
Como já minha mãe avisara,
Com qualquer cachorro não se pode brincar.
Eu outrora acrescentara,
Quando se trata de coração,
A gente pode muito enganar.
Mesmo com as dores não tenha medo de amar,
Eu hoje não tenho medo com animais de brincar,
Mas não brinque de com o coração amar,
Ame de verdade, amor é coiaa séria,
Mesmo que haja algum penar.
A camisa que veste nossos traumas,
Nem sempre vai ser amarela.
Podemos dar novas cores às nossas almas,
Transformado as dores em poesia
Com alegria em tons de aquarela.
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