segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Tiras

Quantas vezes nos acostumamos a andar com a tira do chinelo arrebentada, porque não queremos trocar, não temos como trocar no momento, Não queremos lidar com a mudança, Não queremos gastar dinheiro, ou simplesmente por causa do apelo emocional das lembranças que aquele chinelo nos oferece?

Caminhamos tortamente sem perceber o tamanho da limitação que aquela tira arrebentada nos proporciona. Se antes andávamos a plenos pulmões olhando para o alto, hoje nossos olhares estão convergindo para o chão, se corríamos para onde queríamos, agora estamos arrastando nossos pés, se antes éramos felizes, hoje o passado se prende na tira ficou do chinelo que não serve mais.

Por que uma tira pode ser tão importante assim? Não sei! Pode ser um amor, um trabalho, um sentido da vida, uma imagem do passado, uma parte de você que já deveria deixar de existir, mas essa parte teima em permanecer e isso acaba por te diminuir, te fazer andar e dormir em posição fetal, enquanto a liberdade te convida a voar.


Quantas vezes a gente segue mancando pela rua, com a tira arrebentada?
Quantas vezes seguimos rumo ao trabalho, com a tira arrebentada?
Quantas vezes seguimos para o mercado com a tira arrebentada?
Quantas vezes seguimos a vida com a tira arrebentada?

Não, Não é a tira do chinelo é a tira da alma! Não é defeito querer ser livre, não é defeito abandonar o que ficou para trás! Não é defeito andar descalço, experimente quebrar esses grilhões!

Tire a sandália dos seus pés, o lugar em que você pisa é santo, essa tira já não vale mais para sua caminhada, está na hora de você voar com todo seu encanto.

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