Relacionamentos nunca vão ser igualmente recíprocos, ninguém vai dar na mesma medida que recebe, não existe uma balança para definirmos o quanto estamos dando e o quanto precisamos receber em troca. Relacionamentos são sim baseados em troca, mas viver calculando cada ato de doação na espera de fazer algo em troca, ou esperando que alguém faça por você o que você faz, é loucura.
O amor ou qualquer outro relacionamento é feito de descompassos, desencontros, desmedidas. O que importa é que se você ama alguém, pouco ou quase nada vai importar o que esse alguém faz por você, se você ama você não julga nem mede as atitudes, se você ama, a sua forma de se doar vai ser integral, mesmo que você não seja capaz de dar o mundo da forma que a outra pessoa talvez diga que dá.
Amor, amizade ou qualquer outro relacionamento, todos são baseados na troca, troca essa que pode ser de afetividades, sentimentos, conversas, muitas vezes trocas financeiras ou de força de trabalho, mas as relações humanas não podem ser como um contrato empresarial, onde a utilidade do outro acaba quando a produtividade já não é a mesma.
Um dos principais desafios da humanidade é o de amar as pessoas além do que elas podem oferecer, o desafio de fazer com que não sejamos currículos ambulantes nas relações humanas, onde só somos interessantes se neste currículo tiver algo que interesse na contratação da amizade ou do que eu tiver interesse no outro, como se as relações fossem processos seletivos.
Não existe balança no mundo que seja capaz de medir a entrega de cada um, não precisamos nos preocupar se alguém faz menos ou mais do que nós, se eu amo mais ou amo menos, o que precisamos mesmo fazer é mostrar atitudes diárias de que nos importamos com quem gostamos e amamos, e estamos lá para o que der e vier. Sem joguinhos, sem frieza, sem medos bobos, sem cobranças.

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