quarta-feira, 22 de março de 2017

Horizonte (20/03/2016)

Eu sempre olhei para lugares distantes, sempre imaginei o que eu poderia enxergar no limite do horizonte, sempre olhei o mar e lá imaginava o futuro distante, aquela linha do tempo bem desenhada, o balançar das ondas, a esperança de realizar aquela caminhada conforme o previsto.

O tempo passou e vi que meu coração foi enganoso, os horizontes eram distantes e nuvens sempre obscureciam minha visão, o mar era bravio, as tempestades balançavam o barco, causando ansiedade, uma dor por não poder prever o futuro, dor maior por conhecer o presente ao qual eu pertencia e lutava para mudar e os imprevistos que teimavam em acontecer.

O tempo passa como a areia em uma ampulheta, a água corre do rio para o mar e encontra o caminho esvaindo pelas mãos, não controlamos nada, perdemos as coisas, perdemos os sentidos, perdemos e ganhamos o que nunca foi nosso sem saber quando ou como.

Muito do que eu vi ficou, passou, mas não deixei de olhar o horizonte, passei a olhar as estrelas e as incontáveis histórias que ainda posso contar, aprendi que eu posso suportar variadas dores, posso fazer de mim um daqueles pontos de luz que estão bem além do nosso horizonte, aprendi que, apesar de olhar para longe, eu tenho visto em mim o fundamental para continuar, independente do terreno que eu passe, existe um horizonte em expansão, um universo que cresce, à medida que se aprende a lidar com as mudanças, tudo dentro de mim pode ser maior que era antes, quando tudo ainda era medo do desconhecido.

Tudo é horizonte, tudo é universo.

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