Sobre pessoas e nuvens
Pessoas são como nuvens, estranha comparação, mas nas entranhas faz todo sentido imaginar. Temos nuvens e pessoas de diversas formas, tamanhos, cores e sabores.
Todos somos passageiros, todos somos como nuvens ao sabor do vento, indo e vindo, mudando, transformando, chovendo, secando, atravessando montanhas, virando mares aéreos, algodão, solidão, fantasia, imaginação.
Existem nuvens que passam tão rapidamente, que nem percebemos para onde foi. Existem aquelas nuvens, que mesmo com o vento teimam em permanecer, passam devagar como se nos observasse, como se quisessem ser contempladas.
Tem aquelas nuvens que passam baixas como névoa, como se te envolvessem e quisessem te levar com ela, algumas chegam cedo, outras ficam e se disfarçam esperando o fim do dia. As névoas gostam de manter o ambiente pouco visível, talvez queiram que você se perca dentro dela e desista de sair.
Nuvens altas que te deixam inebriado, te fazem olhar para o alto e imaginar a distância que estaria de você, o avião que passa lá no alto ainda está bem abaixo dela, nuvem de ares rarefeitos, fria, gélida, não é fácil de alcançar.
Tem aquelas nuvens em formato de algodão, que cortam o céu com ar de simplicidade, tomam conta de tudo e trazem consigo o ar de tranquilidade, dá gosto de ver o dia amanhecer e anoitecer com ela, dá vontade de ser como ela e ir rumo ao horizonte.
Tem nuvem que é tão pequena que some, se une com outras maiores, se desfaz no menor toque, nuvem delicada, dá vontade de guardar num pote e nunca mais mexer...
Tem nuvem que nem nuvem é, é fumaça, rastro de avião, explosão de fogos, é tudo, menos nuvem, você vê passar, não sabe como começou e nem como vai terminar, mas dali nem chuvisco sai.
Frente fria, é aquela que chega e vai, traz o frio que carrega em sí, leva frio por onde passa, a chuva cai incessantemente, é como o coração humano que já amou um dia, mas deixou de acreditar.
Algumas nuvens são avassaladoras, chegam breves, suaves, mas são indício de grandes tempestades, quando você acha que ficou tudo tranquilo, é que acaba de entrar no olho do furacão, no final, domina tudo por onde passa e quando termina, quase nada sobra de você, o furacão acaba e só resta contar os prejuízos.
Tem a chuva de verão, que se levanta com o calor do momento, grande, imponente, forte, delas saem raios e trovões com frequência, parece muito nervosa, mas no cair da tarde ela cai junto, desaba em chuva, granizo, uns 20 minutos e depois ela se revela nas cores do arco-íris, levando beleza e frescor ao final do dia.
Tem aquela nuvem de poeira, tempestade no deserto, tudo que é seco, permanecerá seco e assim será. Vento, apenas vento quente, que faz qualquer viajante sentir sede e ver miragens, talvez traga ilusões quase reais de que tem algo lá, mas te maltrata e mata.
Poluição urbana: Baixa como a névoa, porém tóxica, perigosa, te deixa doente, traz chuvas que corroem o ferro, afaste-se do modo urbano dessas nuvens.
Somos todos pessoas, gerados em nuvens cósmicas de poeira, lá onde estrelas e planetas nascem, também nascemos nós, talvez por isso sejamos como nuvens, tão caóticos, tão passageiros, tão misteriosos, porque somos pessoas buscando por nuvens ou o contrário e não sabemos.
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