Todo mundo espera algo de sábado à noite.
Tudo começa quando dizemos aquela frase: " Ninguém é feliz sozinho." e vai caminhando em alternâncias com momentos em que dizemos que "estamos melhores sozinhos que mal acompanhados." e muitas outras frases que usamos quando estamos em nossos momentos de carência ou de simples reflexão, mas seria muito bom se estivéssemos passando o tempo todo por aquilo que estamos dizendo.
Uma das grandes verdades da sociedade e da nossa vida íntima é que estamos sempre esperando que um som diferente ecoe por nossos corações, que uma ligação caia por engano no nosso telefone, que algum clichê de novela aconteça quando estamos distraídos e alguém toque nossa mão de forma inesperada. Sim! Estamos nessa busca desenfreada por alguém que nos complete ou por alguém que nos transborde, não importa qual tenha sido a nossa última decepção, a nossa última dor, o nosso último fracasso, o nosso rumo pessoal ou profissional, estamos sim buscando essa sensação de novidade para acalmar o coração, só que nem sempre admitimos.
Alguns optam por baladas e dizem que só querem pegação, outros escolhem movimentos espirituais em busca de purificação, outros escolhem seguir causas sociais, políticas, comportamentais, se envolvem em mil rotinas diferentes porque fogem de seus devaneios não realizados, muitas são as desculpas para os que dizem fugir de ter um amor ou um amado para recordar, mas é inegável que em nosso universo ninguém quer terminar sozinho, sem ter uma grande história pra contar, relembrar ou ver álbuns com os netos no futuro.
Então quando somos vistos com alguém que assumimos para os outros, somos taxados de carentes, pegadores, entre muitos outros adjetivos, que sabemos que aqueles que olham também o fazem ou se não fazem, estão esperando que alguém venha os fazer o convite de entrar na dança, porque nos olham como se tivéssemos um cisco no olho, mas gostariam de ter o mesmo cisco ou até tem um cisco e escondem suas mazelas dos outros para manter a aparência de durão ou durona que tem.
Todos nós temos nossas dores, nossos recomeços, nossas ilusões, nossas tragédias, mas nem todos nós assumimos que elas existam, nem todos nós queremos expor nossas falhas, nossa identidade, jogar a máscara fora, apresentar ao mundo nossos pontos fracos e deixar que nos atinjam com tudo, mas as vezes mostrar nossa fraqueza pode ser sinal de força, não ter medo do julgamento é sinônimo de personalidade, não esconder as feridas da própria história é sinal de maturidade, mesmo que de segunda à segunda estejamos envoltos por outras prioridades, todos nós queremos algo que nos tire do mar das impossibilidades e nos coloque num barco à vela rumo ao desconhecido.
Toda esperança de futuro passa pelo fato de aprendermos com as experiências do passado, mas mantermos nossa mente no presente, acreditando que há algo maior lá fora e que nossa escolha pode dar o impulso necessário para viver o que esperamos tanto. Não é carência querer ser feliz, não é vergonha querer uma companhia, não é ilusão acreditar que existe alguém do outro lado da sua busca, nada é irreal ou distante demais do seu sonho.
Hoje pode até ser domingo de manhã, sexta-feira às 3 da tarde, uma noite qualquer de verão, porém, mesmo que não seja sábado, todo mundo espera algo de um sábado à noite.

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