quinta-feira, 6 de junho de 2019

Emocional

Todo mundo precisa ter um momento na vida para gritar sem que os outros olhem e o chamem de louco. Aquele momento em que nada importa, em que é só você e você mesmo, em que todas energias são descarregadas no extase do sentimento. Onde a alegria se mistura com a ira, o sorriso e a lágrima escorrem ao mesmo tempo, onde a expressão não precisa fazer sentido, a comemoração não precisa ter motivo, a tristeza não precisa ser real, onde você se desfaz e refaz as pazes com o próprio ser.

Estamos todos muito comedidos, segurando as emoções diante do esperado e do com medo da reação ao inesperado, tudo muito controlado. A explosão quando ocorre é julgada pelos outros como sinal de descontrole emocional, a implosão é tida como fraqueza, e nessa vigilância completa todos nós vamos morro abaixo nas nossas crises existenciais, dominando a ansiedade e fingindo sintomas de normalidade diante da depressão.

As pálpebras tremem, o estômago ferve, o zumbido ensurdece, o coração dispara, todos os sintomas internos demonstram a ausência de uma atitude externa. As palavras não demonstram a dor e escondem o que o corpo tenta dizer, os pensamentos se tornam sombrios, as orações desprovidas de fé se tornam repetitivas, e assim tudo se consome em angústias dolorosas.

Não ter medo de surtar algumas vezes é algo fundamental, chorar não faz mal a ninguém, sentir a perda é normal e precisa ter seu tempo de luto, ao mesmo passo que precisamos comemorar como crianças os pequenos ou grandes passos que damos, a conquista que tanto lutamos. Que se dane se alguém tem inveja, tenha orgulho de si mesmo, pare de negar o mérito dos seus feitos, não se envergonhe de ter errado, não ignore a dor, nem diminua o valor de uma batalha vencida.

Para ser por completo é necessário sentir, conhecer e agir por inteiro. Nada de metades, contingências ou timidez!

Nenhum comentário:

Postar um comentário