sábado, 20 de julho de 2019

Ansiedade

A gente nasce querendo mudar o mundo, tudo em nós parece revolucionário, planejamos, traçamos e desenhamos inúmeros planos para o futuro, o primeiro amor parece o ápice das nossas realizações pessoais, amamos como se não houvesse o amanhã, todas as luzes estão em você e você enfrenta a escuridão do mundo com a ousadia de um guerreiro medieval, queremos colocar em prática tudo que aprendemos achando que somos sabedores dos maiores segredos do universo...

Com o tempo, vamos aprendendo que nem tudo se pode mudar, que muita gente morreu ou deixou seus sonhos morrer no meio do caninho, aprendemos que o futuro não é controlado pelas nossas mãos, ainda sobra um pouco de guerreiro medieval na gente, mas vamos descobrindo que nem todas as luzes são para nós, o primeiro amor não foi tão eterno e nossas armas não serviam para todas as batalhas, o grande guerreiro medieval então cai do cavalo e descobre que precisa se adaptar ao mundo que antes era nosso, descobrimos que o universo é mais secreto e maior que a nossa capacidade de exploração, então acabamos por adaptar também novas rotas menos difíceis para se chegar onde precisa...

Depois de muito cair e aprender, descobrimos algo fatal: Não mudamos o mundo, não fomos tão revolucionários, fomos para caminhos que nunca imaginamos para descobrir novos mundos, alguns destinos traçados não nos levaram ao imaginado, perdemos inúmeros amores acreditando que tudo era perfeito, que existia perfeição dentro da realidade, então fomos ou realistas demais ou sonhadores demais, nos machucamos com nossas armas medievais e quase morremos diversas vezes por cada dor sofrida nas batalhas, descobrimos que o amanhã existe, que luzes se acendem e apagam o tempo todo no nosso caminho, que o nosso crescimento exige essa adaptação, mesmo que venha doer, descobrimos que tudo que aprendemos não é nada e todo conhecinento tem a hora certa de ser aplicado.

Tudo tem um fim... A ansiedade acaba, a revolução, a infância, as paixões, as dores e as armas medievais.

Nos tornamos filósofos, escritores, cancionistas, esperando por um dia em que possa explicar o sentido da vida. Nossos corações acelerados diminuen o ritmo, nossos caminhos se contorcem, nossos sonhos e armas mudam, parece que aprender nos deixa estagnados quanto ao fato das esperanças terem ficado no passado.. O trabalho, as filosofias, faculdades, tudo a nossa volta muda nosso conceito de revolução, somos mais conformados com o mundo, com o nosso próprio eu e com a visão que temos do universo, o amor parece não ser mais tão importante e o coração se esfria para as luzes que se acendem...

Se antes não havia medo de tropeçar, agora andamos com cautela para não nos machucarmos, as cicatrizes nos tornam mais sóbrios, menos medievais e mais observadores...

Quando achamos que nada mudou e olhamos para trás, e vemos que tudo mudou, inclusive o mundo, só que o tempo todo estávamos querendo mudar o mundo errado, com as armas erradas, precisávamos fazer tudo da forma que foi feito para que fossemos quem somos hoje, porque mudamos tanto que nem percebemos que mudávamos o mundo enquanto isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário