Eu olhava para ela, num misto de surpresa e emoção. Não sabia bem o que esperar no primeiro momento, nem sabia o que viria após as primeiras palavras, se é que elas viriam. O suor, a ansiedade e os tremores percorriam todo o meu corpo e pelo que pude ver, não era muito diferente do outro lado. Estávamos nós, no meio da sala, ou no meio da rua, naquele momento não importava muito o lugar, talvez todo o universo teria deixado desistir com o nosso reencontro e nem perceberiamos se o chão estaria abaixo ou acima de nós. Só o que existia eram as nuvens primordiais da existência, porque todo o resto já não tinha foco ao nosso olhar, todo o resto era irremediavelmente nada. Passado e futuro congelados naquele momento, o relógio digital no braço esquerdo dela travado na exata hora do nosso encontro.
Ela estava vestida com uma blusa azul, que realçada seus ombros e o decote que me levava a lembrar dos nossos momentos de intimidade, uma minissaia parecida com a do nosso primeiro encontro e um allstar preto. Algo novo parecia estar marcado no corpo dela, uma tatuagem pequena de estrela e um piercing no nariz davam uma nova entonação em sua personalidade. Eu estava com uma camisa preta do Super Mario, uma bermuda marrom amarrotada e chinelo, nada exatamente especial para quem passou uma parte da vida em outras viagens até aquele momento. Era um reencontro criado pelo destino, por Deus, acreditem vocês no que acreditarem, mas era um momento surreal, supreterreno.
Quando uma eternidade passou, o relógio ainda apontava a mesma hora, provavelmente se passaram entre 10 e 30 segundos, poderiam ter passado algumas horas que eu nem ligaria de continuar na frente dela. Até que surge a primeira fala dela no diálogo:
- Oi, tudo bem?
O universo desaba ao meu redor, os buracos negros e galáxias se colapsar enquanto eu tenho retomar meu fôlego, afinal, quem nunca teve um grande amor da adolescência na sua frente depois de uma vida separados?
- Oi, amor... - Interrompi e retomei a fala - Oi... tudo bem?
Após esse breve diálogo marcado pelo nervosismo nos abraçamos e sentimos as batidas do coração um do outro enquanto terremotos e maremotos invadiam a orla da minha alma e bagunçavam as fronteiras dos meus sentidos, seguido de um beijo acalorado no rosto, quase na boca, quase esquecendo o tempo que havia passado e a distância que estivemos nestes longos anos.
Continua...
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