Quem dera meu mundo acabasse em poesia
Para a minha amada eu a declamaria
Até o fim dos meus dias sobre o amor
O último segundo seria o de maior valor.
Diante dos meus braços
O mundo se acaba nos nossos abraços
Estamos atados por laços
Nem o fogo atroz desfaz os embaraços.
Seu corpo nu agora evapora
Meus dedos em suas mãos me lembram outrora
Quando antes do início olhávamos a aurora
Acreditando que o dia nunca teria fim.
Agora tudo não passa de vento
O fim imediato parece invalidar o tempo
Os segundos do relógio passam despercebidos
Eu e você somos uma sopa cósmica de amores perdidos.
E agora? O que será da nossa história?
Como será contada a nossa vitória?
Dois átomos que persistiram bravamente
Até depois do último brilho pulsante.
Irradiantes ondas pelo universo ecoaram,
Tempo e espaço implodiram na colisão,
A última fagulha de luz se apagou na imensidão,
Dos restos poéticos de uma antiga civilização.
Ah se a poesia fizesse o tempo voltar,
Declamaria mil odes de amor eterno,
Um milhão de versos fariam o relógio parar,
No exato instante que nosso beijo se fez terno
Nenhum comentário:
Postar um comentário