Todo mundo tem direito a felicidade, não aquela felicidade disfarçada, coberta por uma venda, sorriso amarelo, nada disso... Aquela boa felicidade dos sorrisos escangalhados, aquela que tira o seu controle e te faz passar vergonha em público, aquela felicidade plena, infantil, que te faz esquecer todas as cenas medianas da sua vida e só pensar em rir, rir tão gostosamente que contagia até quase virar uma histeria coletiva.
Todo mundo precisa de um momento de felicidade como esse, em que não importe nem a hora nem o lugar, não importe quem está ao redor, aquele momento puro e lúdico que você transcende a própria existência temporal para dar lugar a manifestação do seu espírito, para você ser tão real que não exista nada que seja menor ou mais breve que aquela risada dada, nada mais sobrenaturalmente natural quanto a felicidade genuína de uma pessoa que quebrou o protocolo para ser só ela mesma, tão humana quanto qualquer mortal, porém fora da própria dimensão, em uma espécie de transição entre o universo atual e uma percepção visual de uma teofania vindoura.
Todo mundo tem direito de ter ao menos uma vez essa felicidade na vida, todo mundo merece uma vez na vida sair dessa camisa de força social, criada para que todos sejam incapacitantemente iguais, perigosamente sérios, beirando a fuga chorosa de uma depressão ou da ansiedade de uma sombria revelação. Felicidade sem hora nem lugar, sem padrão, sem regras, sem vergonha. Aquela felicidade que nos faz as pessoas mais idiotas do mundo, mas nos eleva ao padrão de sabedoria maior que qualquer guru das emoções é capaz de alcançar. Essa felicidade não precisa de estudos, análises ou testes em laboratório, não precisa de treinamento para se alcançar, não precisa de rituais religiosos, níveis de compreensão espirituais ou realizações materiais, nada disso leva a uma felicidade plena de consciência. Quando nada ao redor faz sentido, quando a consciência perde o próprio sentido de existir, quando não importa mais o êxtase do sentir e você sabe que ser feliz está unicamente em você se reconhecer no direito de sorrir independentemente das mazelas que te assolam, só assim serás feliz, seremos completamente e unicamente felizes, reais, verdadeiramente o que fomos feitos para sermos.
A felicidade suprema dá sentido ao que o homem caído há de ser no seu futuro de redenção, quando alcançar de volta o lugar do qual saiu. Essa felicidade do retorno ao estado original, é o que podemos hoje sentir em parte, e quando ela acontecer não devemos conter os risos, mas neles somos convidados a viver algo que todo ser humano deseja viver novamente, mas poucos possuem a coragem para abandonar a sobriedade de suas carcaças morais para se deixar levar por uma pequena demonstração epifânica da revelação eterna.
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