A idade vai chegando e com ela vem o peso de dar algumas respostas que até então não tinham sido dadas ou pensadas. 32 anos, beirando os 33 e aparecem perguntas que não se calam no meio da ansiedade por realizações: O que eu conquistei? Onde eu cheguei? Quais são as minhas medalhas de honra? Quais foram os méritos que eu tive?
Não plantei árvores, não escrevi um livro e não tive um filho. Dizem que é aos 30 que começa o sucesso pessoal e profissional de todo mundo que está em busca de um objetivo em questão, mas também dizem que nunca é tarde para se conquistar algo na vida e nessa balança eu fico sem saber se já estou na idade certa para ver as glórias do meu esforço ou se sou imediatista demais e talvez só enxergue a luz no fim do túnel lá pelos 50 anos de idade.
Muitos dos meus amigos hoje já são casados, estão no segundo ou terceiro filhos, estabeleceram a dinâmica de sua vida adulta pautada na rotina de se ver indo trabalhar e no fim do dia tendo o sorriso de uma criança e uma família o esperando, outros estão em carreiras sólidas, ditando regras em empresas, dando aula em escolas e faculdades, não que isso seja ruim para mim, eu até fico feliz que muitos dos meus amigos sejam bem-sucedidos e me orgulho de vê-los realizados, porém eu volto a repetir, sou ansioso e acho justo ter esses questionamentos. Quem nunca parou e se perguntou a mesma coisa quando olhou para trás?
Se eu for olhar para trás vou ver que eu só fui capaz de chegar aqui graças a Deus e a sua mão que me livrou diversas vezes da morte, que graças a Ele eu fui capaz de superar tantas coisas que se não fosse por Ele, eu nem sei se eu saberia quem eu sou. Sou uma história de superação ambulante, sou o improvável no meio dos impossíveis, e só sendo grato a Deus para perceber que mesmo eu sendo ansioso, Ele me acalma quando eu preciso.
Eu não sei onde vou chegar e acho que a maioria de nós também não sabe, eu sei que um dos meus objetivos de vida é ser relevante para as pessoas com o que eu aprendi no "vale da sombra da morte", aquele lugar onde todo mundo já passou em algum momento e que superou quando imaginava não existir solução. Depressão, ansiedade, assédios de todas as formas, jugos pesados que recaem sobre nossos ombros por causa de contextos familiares, econômicos e religiosos, tudo que todo mundo já passou em algum momento, eu quero extrair disso a minha lição de vida e poder ensinar que é possível vencer, mesmo que todos digam que você é o menor da sua casa, da sua região, do seu país.
Às vezes bate a dúvida se estou no "caminho certo", outras vezes eu acho que nem caminho existe, sou desse mundo, mas não queria estar nele e me questiono sobre o propósito de estar aqui neste exato momento. Se é tudo tão passageiro, porque dou fé a tantas coisas que faço como se fossem as mais importantes do dia? Tudo vai passar mesmo, então será que estou plantando algo que renda frutos no futuro?
A idade vai chegando, estou beirando os 33, dividindo espaço com muita gente muito maior e melhor que eu e que parece não ter nem chegado a metade da minha idade, pode parecer complexo de inferioridade, mas não é, todo mundo quer deixar sua marca em alguém, os mais ambiciosos querem marcar a sociedade e se você disser que nada disso importa, garanto que não é verdade. Temos essa tendência de querer mostrar reptesentatividade de ditar as leis e querer que tudo seja de acordo com a nossa vontade, alguns por causa de seus ideais, outros pela falta de uma identidade.
Eu não quero ser o Pedro de 15 anos atrás, sem dúvidas eu não sou nem mais o de 2 anos atrás, menos ainda o do ano passado, isso reflete que a mudança é a única coisa perene durante a vida, reflete também a maturidade a que somos conduzidos, mas será que mesmo assim ainda falta alguma coisa? Eu me cobro demais por resultados e um deles é a maturidade, porque a falta dela nos faz ser engolidos e punidos quando não dizemos a verdade e com isso faz da inocência uma grande maldade.
O texto é longo, porém explicita algo que pode não ser sentimento só meu, por isso escrevo essas palavras sinceras e deixo aberto o debate. Tudo tem o tempo perfeito, mas será que fizemos o suficiente? O mundo vai sempre dizer que não, talvez tudo isso seja mera vaidade. O que o espelho do tempo tem a nos dizer sobre nós? Espelho espelho meu, existe alguém mais realizado do que eu? Dependendo da resposta do espelho, vamos entrar em desespero ou só aceitar a caminhada?
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