segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Aquele eu

Aquele eu que existia num passado distante talvez não exista mais, nem volte a existir da forma que era. O eu que existe hoje parece refletir esse passado distante, mas está em busca de um futuro mais brilhante. Se esse eu não tivesse passado por tudo que passou pra chegar aqui, talvez nunca tivesse sido eu.
Aquela foto antiga que eu nunca apaguei, aquele post que hoje é ridículo, aquelas expressões que só eu fazia, aquelas opiniões que eu dava, aquilo tudo era eu, aquilo ainda sou eu e nunca deixou de ser.
Não há motivos para fingir ser o que nunca fui, fingir que nunca senti o que já doeu demais, negar que amei quando já amei sem medir, ou dizer que nunca errei sendo o maior dos pecadores. Não há motivos para esconder as vergonhas debaixo do tapete, jogar as glórias no lixo, nem exorcizar os meus fracassos, porque eu sou tudo isso que já vivi, eu sou as marcas que deixei no tempo e as escolhas que trouxeram e levaram pessoas que me marcaram.
Não espero que o tempo ou as pessoas voltem atrás, apesar de já ter tido esperanças disso, já quis causar um efeito borboleta, ter o controle remoto do tempo, navegar de volta nas águas da vida e parar as tempestades que vieram, mas percebi que não adianta tentar parar o universo, o aprendizado é o que nos faz ser quem somos e dar origem ao que ainda vamos ser.
Aquele eu ainda sou eu, a essência sou eu, admito que cresci, admito que doeu crescer e não pretendo me conformar em continuar a ser o que ainda sou. Aquele eu ainda grita algumas vezes, ainda se desespera, ainda se confronta, aquele eu é tão humano quanto eu e vai sangrar sempre que houver uma ferida, sempre vai chorar se houver uma lágrima, e sempre vai acreditar enquanto houver oportunidade de lutar!
Muito prazer! Eu sou aquele eu que você ainda vai conhecer.

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