segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Leveza infante

Eu admiro suas pequenas grandes proezas, admiro a sua inteligência, postura e sua dedicação ao que faz. Me orgulho ao ver a seriedade que dá ao fazer o seu trabalho, e apesar de toda a vontade que tenho de te enforcar, mesmo com raiva de você, eu te olho de relance com carinho, eu ando meio passo atrás para olhar seus movimentos, eu paro meu mundo de questionamentos para observar o seu. Eu não consigo deitar na cama sem passar minha mão no seu corpo e sentir sua nudez extra corpórea. Eu me encanto pelo seu sorriso e pela sua persistência em dividir seu mundo com o meu.
Não sei se isso é amor, não sei se o amor pode ser tão tempestuoso, mas se isso é amor, então espero que seja real. Deixe o amor se fazer leve, não deixe que as cobranças diárias por resultados transformem o amor em uma empresa, que saibamos gerenciar nossas sensações e aproveitar o que o momento nos revela.
A vida pode sim ser mais leve, um presente pode sim ser especial, um beijo demorado pode acariciar um coração dolorido, nossas expectativas de superação podem dar lugar a um relacionamento completamente diferente quando deixarmos o padrão de lado. Soltemos as correntes que nos prendem em nossos mundos e nos fazem prisioneiros dos nossos monstros e razões e seguremos as fitas que nos levam a voar no balão de ar, que sem destino pode pousar em qualquer lugar, revelando inumeras paisagens que evitamos antes de olhar, por seguirmos mapas demais, por medo de nos perdermos de nós mesmos no caminho.
Nenhum relacionamento é igual ao outro, ninguém vai ser 100% o que a gente sonhou, mas aos poucos nossa realidade pode substituir a ansiedade de querer seguir uma reta até o final pela curiosidade de contornar as curvas com leveza e espírito aventureiro, como uma trilha que nos leva ao ribeiro, mas contornamos pedras e desfiladeiros com o prazer de saber que estamos chegando e aproveitando o caminho e reverenciando a beleza ao redor.

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