Ando sozinho pelas ruas onde antes andava de mãos dadas. Não reclamo disso, não é carência, solidão ou essas fraquezas que dizem ser vergonhosas, não é tristeza, memória vã ou sentimentos alcoólicos de um poeta trôpego, não é nada disso. Ando sozinho, porque sei que tudo é momento. Houve um momento em que precisava me segurar nas mãos de alguém, não porque minha estima fosse diminuta, mas porque qualquer um sabe que uma criança quando se livra das mãos dos pais é para correr sem destino definido.
Hoje eu sinto a mesma vontade, de largar as mãos do destino, correr em desatino, quem sabe poder voar, não rumo ao sol, com penas de cera e cair em qualquer lugar, eu quero me jogar de cabeça nas alturas dos planos que Deus tem reservado a mim. Mas cada dia reserva o seu devido momento, preciso ser paciente, perseverante e resiliente, entender que mãos vazias não significa solidão, passos no chão nunca são em vão, nada na vida é vazio de intenção, existe uma forma de retorno para cada ação.
Sim, mesmo que diga não, quem nunca se sentiu só? Hasteio a bandeira da minha verdade, apesar de saber que não estou só, muitas vezes o silêncio na caminhada me faz sentir saudade. Saudade de coisas que talvez nunca tenha vivido, saudade dos sonhos que ainda vou sonhar, saudades da poesia que ainda vou criar, saudades de viver uma vida ímpar! Tomar café da manhã com alguém especial, conhecer outros estados em estado de graça sorrindo para minha amada, ver crianças minhas largando a minha mão e correndo rumo ao mar, para brincar de castelos de areia que na mente delas nunca vão desabar.
Eu quero mais do que falar ao vento, eu quero falar ao mundo, eu quero mesmo tímido, ter o livro mais vendido de todos os tempos, eu quero entrevistas, quero ser visto em rede internacional, numa simples mesa no quintal, ter grandes lições para propagar. Ser lembrado como o velho/jovem/infante que mudou o mundo, se não conseguiu mudar por completo, pelo menos mudou o próprio mundo, quando ousou sonhar pela primeira vez. O garoto que tinha medo de pisar na areia do mar e não largava das mãos de quem quer que fosse pelo medo de nadar, agora mergulha tranquilo pois sabe onde quer chegar.
Ando de mãos dadas com Deus, eu sei que ele ouve minhas orações, faz deste texto uma delas e não me deixa desistir de amar, porque deixar de amar seria largar da mão suprema e correr pra longe de mim. Tão infantil quanto o medo do escuro, é ter medo da luz, por achar que um dia ela pode se apagar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário